Emílio Odebrecht ministra palestra na FAAP
Considerações iniciais
No dia 18 de agosto alunos, professores e diretores da FAAP tiveram o privilégio de assistir à palestra de Emílio Odebrecht, que atualmente ocupa a presidência do Conselho do Grupo Odebrecht, um dos mais bem sucedidos exemplos de empresas brasileiras que ousaram enveredar pelo caminho da internacionalização.
Ao apresentá-lo, o diretor da Faculdade de Economia, embaixador Rubens Ricupero, que integra o Conselho da empresa, destacou que sua participação no referido Conselho tem sido uma grande escola para ele, que tem tido a chance de conhecer mais de perto um dos maiores exemplos de empreendedorismo do Brasil. Ricupero fez questão de lembrar a importância, na origem das atividades da empresa, de Norberto Odebrecht, que herdou uma organização cheia de problemas na década de 1940 e deu início à transformação que fez dela o que é hoje. A ênfase nos recursos humanos existente então permanece como uma tradição da empresa, razão pela qual é comum ainda hoje encontrarmos trabalhadores que permanecem nela pela vida toda. Por fim, Ricupero alertou para o fato de que não é comum observarmos no Brasil uma empresa com tamanho sucesso surgida na Bahia, fora, portanto, do eixo Rio-São Paulo, onde se concentra a maior parte do núcleo industrial brasileiro.
A palestra
A estratégia de internacionalização da Odebrecht e seus desafios
Agradeço o convite da Fundação Armando Alvares Penteado para estar aqui com vocês e ressalto a minha satisfação em falar de um tema tão caro à nossa Organização. Minha proposta é que tenhamos aqui uma conversa. Vou dar um panorama geral da trajetória da Odebrecht no plano internacional e depois ficarei à disposição para debatermos o tema.
A internacionalização da Odebrecht completou 30 anos em 2009 e envolveu muitas etapas e aprendizados. A grande maioria das empresas brasileiras que se transformaram em transnacionais iniciou esse processo entre o final da década de 80 e início da década de 90. Nós partimos para o exterior uma década antes, mais precisamente em 1979.
A internacionalização foi um dos vértices do que chamamos de Tríplice Estratégia de Crescimento da Odebrecht. Em meados dos anos 70, percebemos que aquele período de grande progresso econômico que ficou conhecido como o “milagre brasileiro” tinha data para terminar e que o país não manteria o mesmo ritmo de crescimento por muito tempo. Precisávamos, portanto, buscar alternativas para que nossa Organização continuasse crescendo e optamos por três.
A primeira – foi o fortalecimento do negócio Engenharia, com a associação, seguida de aquisição, à CBPO, empresa paulista consolidada no mercado de construção pesada.
A seguir, adquirimos a Tenenge, então a maior empresa brasileira de montagem industrial.
A decisão de buscar nosso crescimento acelerado no setor de Engenharia por meio de aquisições tinha três motivações claras: (1) ampliar nossa carteira de contratos, com aqueles que as empresas incorporadas tinham em andamento ou a realizar: (2) integrar as pessoas que faziam parte daquelas empresas; e (3) agregar novas culturas empresariais, para estarmos continuamente nos reciclando.
A segunda opção para o crescimento foi a diversificação dos negócios, com a entrada em setores como o de Química e Petroquímica e de perfuração de poços de petróleo. A terceira – foi partir para o exterior.
Desde os seus primeiros anos, nossa Organização – fundada na Bahia, em 1944 – contou com empresários e equipes que não se conformavam em ficar restritos à fronteira regional e que sonhavam em ampliar os horizontes. A internacionalização estava em nossa cabeça desde o início dos anos 70.
A primeira oportunidade surgiu em 1979, no Peru. Fomos contratados para construir a Hidrelétrica de Charcani V, na região de Arequipa. Uma obra recheada de desafios, com 13 quilometros de túneis no interior de um vulcão, em uma altitude de 3 mil e 600 metros, com temperaturas de até 18 graus negativos. Como se não bastasse, cerca de 30 tremores de terra aconteciam todos os dias na região, o que demandava ainda mais cuidado. Nessa mesma época, fomos para o Chile, onde executamos o desvio do Rio Maule, para a construção da Hidrelétrica do Colbún-Machicura.
Ao partirmos para o exterior levamos conosco a nossa filosofia de vida e trabalho. Levamos a Tecnologia Empresarial Odebrecht, que chamamos de TEO, e que tem como pilares o espírito de servir e a confiança nas pessoas. Isso nos permite atuar de forma descentralizada, com delegação planejada, o que tem assegurado à nossa operação internacional um crescimento sustentável.
Estejam certos disso: há muitas formas para se tocar um negócio, mas estou convencido de que a descentralização e a delegação foram e continuam sendo indispensáveis para o desempenho e o crescimento internacional da Odebrecht.
Nossos Empresários-Parceiros, alinhados quanto à filosofia, conceitos, objetivos, prioridades e resultados têm delegação que lhes confere autonomia para definir a estratégia dos negócios nos mercados a eles delegados e se pautam por uma verdade: a hierarquia está sempre no Cliente, princípio que é uma espécie de síntese de nossa diferença.
A escolha de países da América do Sul – no caso, Peru e Chile – para os nossos primeiros desafios internacionais se deu por conta da proximidade geográfica, afinidade cultural e facilidade de comunicação. Além disso, eram empreendimentos que exigiam uma experiência que já tínhamos, por termos executados, anteriormente, obras semelhantes no Brasil. Quanto maiores forem as diferenças entre o país de origem e o país cliente, maior será o grau de incerteza do prestador de serviço ou do exportador de produtos. Naquele momento inicial, a América do Sul reunia os fatores essenciais para uma adaptação mais rápida, até porque sempre temos um melhor conhecimento sobre os ambientes mais próximos.
Foi esse mesmo motivo que nos levou a Angola, em 1984. Por ser uma ex-colônia portuguesa e guardar muitas semelhanças com o Brasil, Angola se colocou como porta de entrada ideal para nossa chegada no continente africano. Nós tínhamos capacidade técnica e vontade de atender às necessidades do povo angolano, desenvolvendo a infraestrutura do país. O primeiro projeto já foi grande: a construção da Hidrelétrica de Capanda, até hoje uma marco histórico na reconstrução daquele país. Os desafios se multiplicaram. Em plena guerra civil, sofremos com o isolamento de nossa obra e com sérios problemas de logística.
Porém, a experiência de Angola, iniciada 26 anos atrás, foi primordial para que ganhássemos ainda mais capacidade de superar condições adversas no futuro.
Hoje, depois de um quarto de século servindo ao povo angolano, somos uma empresa local, a maior construtora que lá trabalha, com 40 contratos em execução e quase 20 mil integrantes, dos quais menos de 10% são brasileiros. Aliás, uma das características de nossa atuação fora do Brasil é priorizar a contratação de pessoal local, nativos dos países onde operamos.
Em 1985, as obras no exterior já representavam 30% dos nossos contratos em carteira. Nos anos seguintes, entramos na Argentina, Equador e Uruguai, diversificando ainda mais a nossa geografia.
Em 1988, mais um passo importante. Assumimos a tradicional empresa portuguesa José Bento Pedroso & Filhos que, incorporada à Odebrecht, passou a se chamar Bento Pedroso Construções. Foi a nossa chegada ao Primeiro Mundo, um mercado mais competitivo, onde passamos a ter acesso a diferentes ambientes, muito mais complexos, e a novas tecnologias.
Tínhamos também o objetivo de servir, com a realização de obras de infraestrutura, as ex-colônias africanas de países membros da Comunidade Européia. Por meio da Bento Pedroso Construções, conquistamos grandes obras em Portugal, como a Segunda Travessia sobre o Rio Tejo, conhecida como Ponte Vasco da Gama, linhas de metrô em Lisboa e no Porto, hidrelétricas e auto-estradas. Hoje, temos seis concessões de estradas no país e estamos iniciando, na modalidade de parceria público-privada, a construção de um trecho de ferrovia do Trem de Alta Velocidade de ligará Lisboa a Madrid.
Em 1990, chegamos aos Estados Unidos. Lá, nossa primeira obra foi o Metromover, o metrô elevado de Miami, primeira obra pública de uma empresa brasileira naquele país.
Essa ida para os Estados Unidos tinha os seguintes objetivos:
Primeiro – Abrir um escritório em Washington para apoiar nossos países-clientes junto aos organismos multilaterais instalados na capital americana como BID e Banco Mundial; ao Departamento de Estado e ao Congresso dos Estados Unidos e instituições afins.
Segundo – Conhecer in loco o mercado mais aberto e competitivo do mundo e sua legislação específica, quanto a minorias, seguros-garantia, etc...; vivenciar a execução de obras com fornecedores e sub-empreiteiros diferenciados e ter acesso a novas tecnologias.
Terceiro – Diversificar nosso mercado de atuação.
No próximo mês de outubro, completaremos 20 anos de trajetória nos Estados Unidos, com foco na Flórida, onde já executamos 41 obras. Atualmente, estamos desenvolvendo importantes obras ligadas ao Aeroporto Internacional de Miami. A principal delas é uma ampliação do terminal Norte, com investimentos da ordem de 1 bilhão de dólares.
A Odebrecht Estados Unidos executou também importantes projetos na Califórnia e hoje tem o estado da Louisiana como uma das suas prioridades. Na cidade de New Orleans, que tanto sofreu após a arrasadora passagem do furacão Katrina, a Odebrecht está participando ativamente das obras do sistema nacional de proteção contra furacões.
Nas últimas duas décadas, ampliamos nossa atuação na América Latina, com operações em países como Colômbia, Venezuela, México, Panamá, República Dominicana, etc... A forte atuação nos países da América Latina está em alinhamento direto com a política do Estado brasileiro de aproximação com os seus vizinhos e também reafirma a posição de liderança que nosso país ocupa na região.
Participamos hoje de importantes projetos de integração regional, com foco em infraestrutura, como as duas estradas que estamos construindo no Peru, a Interoceânica Sul e a Norte. A Interoceânica Sul, inclusive, será a primeira porta de saída do Brasil para o Oceano Pacífico e criará um novo corredor de escoamento de produtos brasileiros, além de movimentar a economia peruana.
Porém, sempre consideramos que a almejada integração da América Latina vai além – e passa pela integração das pessoas dos vários países do subcontinente; pela aliança entre empresas; pelos investimentos binacionais e pela existência de interesses recíprocos, nos aspectos econômicos e culturais. Em todos estes projetos, buscamos sempre oferecer soluções diferenciadas de Engenharia e velocidade nas decisões, aportando tecnologia e sustentabilidade às operações dos países onde estamos.
Com a experiência adquirida ao longo destes anos, nos capacitamos para partir para desafios em mercados com culturas bem distintas da nossa, por exemplo, no mundo árabe. No Oriente Médio estamos nos Emirados Árabes Unidos e estudando possibilidades em outros países. Na África, estamos em Angola, Moçambique, na Libéria, Gana e Líbia. E já atuamos na África do Sul, Botswana e Djibuti.
Certamente, sem a experiência adquirida na América Latina, na África portuguesa e no hemisfério norte não saberíamos gerenciar, com harmonia e equilíbrio, a rica diversidade que hoje caracteriza nossos canteiros de obras.
Na Líbia, por exemplo, temos em nossas equipes pessoas de 35 nacionalidades diferentes, que falam 14 línguas. Trabalham nos dois maiores projetos de infraestrutura do país, o Aeroporto Internacional de Trípoli e o Terceiro Anel Viário da mesma cidade.
Meus caros estudantes, um dos sinais de vitalidade econômica de um país é a existência de transnacionais entre suas principais organizações. Não acreditamos em país forte sem empresas fortes.
Ao praticar a internacionalização, as empresas adquirem novas capacidades, se expõem a ambientes desconhecidos e por vezes mais complexos.
Um efeito importante é a ruptura psicológica que os expatriados e suas respectivas famílias experimentam quanto à dependência de suas origens. A grande maioria passa a ter uma nova compreensão do mundo, que cada vez mais precisa estabelecer relações de interdependência entre países, pessoas, empresas, etc... das mais diversas origens.
Hoje, nossas equipes trabalham em qualquer lugar do planeta como se no Brasil estivessem.
O aprendizado adquirido no exterior também impacta positivamente na operação nacional, em campos como formação de pessoas, inovação e qualidade dos produtos e serviços oferecidos, e nos permite desenvolver percepções que a permanência no Brasil não proporcionaria.
Por exemplo: vivemos na década de 80 o fenômeno da diversificação dos negócios, como estratégia para minimização de riscos. Na década de 90, percebemos, em vários países onde atuávamos, um movimento contrário, o da concentração como meio de alavancar o crescimento, mas com os riscos minimizados pelo domínio dos negócios, e não por sua variedade. Foi a década das grandes fusões, caminho que acabamos por seguir. Estar lá fora nos ajudou a compreender isso mais rapidamente e a tomar as decisões na hora certa. Não confundirmos diferenciação com diversificação.
A presença em vários lugares do mundo, por si só, também é um fator de identificação de novas oportunidades. Em 1981, uma comitiva de empresários brasileiros, liderada pelo então ministro Delfim Neto, foi para a então União Soviética. A intenção era incrementar o intercâmbio comercial e identificar possibilidades de alianças entre empresas soviéticas e brasileiras para atuar em terceiros países. Estávamos lá e do encontro resultaram, para nós, três grandes projetos em consórcio: uma hidrelétrica no Brasil, uma obra no Peru e nossa ida para Angola. Na sequência, fomos para a União Soviética para realizar dois contratos: a implantação de processo de automação no Metrô de Moscou e a modernização de refinarias de petróleo. Quando nos instalamos em Portugal, começamos a conviver com empresas da Comunidade Europeia, principalmente inglesas. Disso resultou que entramos no mercado inglês para atuar na área de construção para a indústria de óleo e gás, mediante a incorporação da empresa SLP Engineering. Esta empresa já não faz parte da Organização Odebrecht, mas continuamos por lá, agora produzindo petróleo no Mar do Norte.
Credito ao que a muitos pareceu uma ousadia no passado, o fato da Odebrecht ser hoje a nº 1 do mundo na construção de hidrelétricas, linhas de transmissão e aquedutos.
Somos líderes em muitos dos países onde atuamos e temos na Organização duas empresas que são as maiores da América Latina nos seus setores: a Construtora Norberto Odebrecht, na área de Engenharia e Construção, e a Braskem no setor de Química e Petroquímica.
Com o tempo e com o domínio do conhecimento, fomos nos transformando e hoje somos investidores em muitos dos países onde atuamos.
Identificamos as necessidades e antecipamos as soluções, mantendo sempre uma forte rede de relacionamentos. O objetivo é associar o crescimento da Odebrecht ao do país anfitrião, servindo-o e contribuindo com o seu desenvolvimento, o que propicia aos líderes de nossos negócios e às suas respectivas equipes pensar globalmente e agir localmente.
Nosso foco é na permanência. Não queremos fazer uma obra e partir. Nos casos de contratos públicos, nosso cliente não é determinado governante, mas sim a sociedade e o Estado. Para permanecer e se tornar uma empresa de fato local, a formação de talentos nativos, a transferência de tecnologia, a integração a comunidade e a aplicação de uma política de sustentabilidade são imprescindíveis.
Temos como diretriz estratégica servir ao país-cliente nos âmbitos político-estratégico-empresarial e empresarial-operacional.
Isso, em algumas circunstâncias nos transforma em uma espécie de departamento informal cujo escopo é suprir as mais diversas carências de nossos clientes – o que nos diferencia e faz da conquista de novos contratos de obras, uma natural conseqüência.
Como parte desse compromisso que firmamos com os países onde a Odebrecht atua, desenvolvemos projetos sociais, culturais e ambientais. Somente em 2009, 155 programas socioambientais e culturais foram implantados em 342 comunidades no exterior, beneficiando mais de 132 mil pessoas.
Em Angola, fomos contratados pela ONU para dar suporte logístico às forças de paz para lá enviadas, após o final da guerra civil.
A Organização Mundial de Saúde nos homenageou pelo programa de prevenção e de combate à AIDS, que implementamos na África Austral.
Longe de ser um ato de caridade, participar do desenvolvimento das comunidades é nossa obrigação também porque a inclusão social é fator de crescimento para qualquer empresa.
Para além dos nossos projetos na área de Engenharia, a internacionalização chegou a outras empresas da Organização. Odebrecht Óleo e Gás, por exemplo, atua na prestação de serviços e na produção de petróleo na Inglaterra, Angola e Venezuela.
Já a Braskem definiu a ambiciosa meta de se tornar a quinta maior empresa petroquímica do mundo. Não há dúvida que chegará lá, pois já é a maior das Américas e a oitava do mundo. Atualmente, opera 29 plantas industriais, no Brasil e nos Estados Unidos, onde adquiriu recentemente a Sunoco Chemicals. Além dos Estados Unidos, a Braskem tem projetos em andamento na Venezuela e no México e estuda possibilidades de investimento no Peru, Bolívia e Angola. Nosso propósito é estar em qualquer ponto do planeta que indique oportunidade de acesso e matéria-prima competitiva, em quantidade e qualidade.
A tendência para o futuro é que outras empresas da Organização, como a ETH, na área de etanol e açúcar, e a Foz do Brasil, que atua no tratamento de água, esgoto e resíduos industriais, também desenvolvam projetos nos países onde nós já atuamos coma a engenharia.
Temos 60 mil integrantes trabalhando no exterior, em 17 países, e 45% da nossa receita bruta, de cerca de 45 bilhões de reais, vem de fora. A Odebrecht é hoje a maior exportadora brasileira de serviços e conta com 2.874 fornecedoras, entre pequenas, médias e grandes empresas para os projetos no exterior. Todas elas recebem nosso apoio técnico, jurídico e logístico para que possam vender para fora do Brasil. Depois, poderão seguir voos próprios, ajudando a consolidar a presença de nosso país nos mercados internacionais.
Em 2009, o montante de produtos e serviços que exportamos do Brasil alcançou a marca de 1 bilhão e 560 milhões de dólares. Para gerenciar esse trabalho e também para cuidar dos nossos expatriados nos mais diversos países, a Odebrecht conta com uma estrutura própria, a Olex, nosso braço de logística.
Importante ressaltar também o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, cujos financiamentos a alguns dos nossos projetos permitem a geração de divisas e de milhares de oportunidades de trabalho em nosso país.
Meus caros estudantes, professores e demais convidados, concluímos no final do ano passado a formulação da nossa Visão 2020. Essa visão sintetiza o que queremos ser daqui a 10 anos.
Dentre outras coisas, vemos a Odebrecht, preservando o orgulho de sua origem brasileira, como uma Organização Global, presente em mais de 30 países, com 300 mil integrantes de diversas nacionalidades e competências, unidos pela mesma cultura empresarial, a TEO. Queremos ser motivo e orgulho para as centenas de comunidades onde atuamos, comprometidos, sempre, com o desenvolvimento sustentável.
Continuar sendo a escolha do cliente no desenvolvimento de soluções integradas e inovadoras para grandes desafios globais como a disponibilidade de água, energia, infraestrutura, insumos industriais e alimentos, é uma das nossas principais metas.
É nosso desejo também ser uma das organizações mais admiradas e objeto de desejo de todos os jovens talentos que, hoje, estão nas universidades se preparando para entrar no mundo do trabalho, como vocês, aqui na FAAP.
Estejam certos de que essa Visão 2020, conforme foi pactuada por acionistas e integrantes da Odebrecht, só existe por conta das decisões que tomamos 30 anos atrás. Dentre elas, a disposição de internacionalizar os nossos negócios foi primordial para que a Odebrecht chegasse ao patamar em que está hoje.
Impusemo-nos desafios de crescimento e de renovação que o lugar onde nascemos já não comportava naquela época.
Encaramos o mercado mundial como um manancial inesgotável de oportunidades e o nosso comprometimento com os países foi aumentando na medida em que os anos foram passando.
Não há exagero em dizer que somos também responsáveis pelo estreitamento das relações entre o Brasil e diversas Nações estrangeiras, com destaque para aquelas que estão na América Latina e África, nossos mercados prioritários. São novos canais de relacionamento que podem se tornar importantes instrumentos de política externa.
Espero que nossa história de aprendizados sirva de estímulo para que outras empresas que ainda não foram para o exterior, também o façam, porque só terão a ganhar.
O Brasil ainda é tímido neste quesito e precisa de mais transnacionais, pois somente grandes corporações serão capazes de espalhar pelo mundo o nome de nosso país também como sinônimo de bons produtos e serviços, qualificação tecnológica e capacidade empresarial. Um país que almeja desempenhar papel relevante no cenário global precisa de empresas campeãs globais.
Meus caros estudantes, para finalizar, quero relembrar alguns conceitos que me parecem essenciais para a reflexão de vocês:
- Quando formos para o exterior, devemos levar nossa filosofia empresarial conosco.
- A melhor estratégia é começar por países geograficamente próximos, com os quais tenhamos afinidades culturais e facilidade de comunicação.
- Quanto maiores forem as diferenças entre o nosso país e o país-cliente, maior será o grau de incerteza.
- Devemos priorizar, sempre, a contratação de pessoal local, nativos dos países onde estamos operando.
- O crescimento de nossos negócios deve estar casado com o crescimento do país cliente. Sempre.
Muito obrigado.
Considerações finais
No encerramento da palestra de Emílio Odebrecht, Sergio Amaral, diretor do Centro de Estudos Americanos da FAAP, teceu rápidos comentários, lembrando que quando serviu nas Embaixadas de Londres e de Paris, participou de reuniões com Emílio Odebrecht e outros diretores do grupo com objetivo de abrir novas oportunidades de negócios, sendo testemunha da competência e do pioneirismo evidenciados nessas ocasiões.
Sergio Amaral concluiu seus comentários voltando a utilizar sua afirmação de que “o Brasil foi descoberto em 1500, mas só descobriu o mundo há cerca de 20 anos”. A Odebrecht é uma prova inconteste disso.
Fotos e legendas

Foto 1 – Luiz Alberto Machado, vice-diretor da Faculdade de Economia, Rubens Ricupero, diretor da Faculdade de Economia, Américo Fialdini Jr., diretor-tesoureiro da FAAP, Emílio Odebrecht, Antonio Bias Bueno Guillon, diretor-presidente da FAAP, Aluízio Rebello de Araújo, conselheiro da Odebrecht, Tharcisio de Souza Santos, diretor da Faculdade de Administração, e Sergio Amaral, diretor do Centro de Estudos Americanos da FAAP, momentos antes da palestra.

Foto 2 – Rubens Ricupero, diretor da Faculdade de Economia da FAAP, fazendo a apresentação do palestrante.

Foto 3 – Flagrante da palestra de Emílio Odebrecht.

Foto 4 – Aluízio Rebello de Araújo, conselheiro da Odebrecht, Antonio Bias Bueno Guillon, diretor-presidente da FAAP, e Américo Fialdini Jr., diretor-tesoureiro da FAAP acompanham a palestra de Emílio Odebrecht.

Foto 5 – Sergio Amaral, diretor do Centro de Estudos Americanos da FAAP, tecendo considerações sobre a palestra de Emílio Odebrecht.

Foto 6 – Humberto Pereira Gonçalves Cimino, estudante de Relações Internacionais, formulando uma pergunta ao palestrante.

Foto 7 – O público lotou as dependências do auditório em que foi realizada a palestra
de Emílio Odebrecht.
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