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FAAP promove palestra sobre a África em Brasília

A Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) acaba de firmar um convênio com a Universidade Fernando Pessoa (UFP), localizada na cidade do Porto, no norte de Portugal.
Por conta dos entendimentos visando a assinatura do referido convênio, veio ao Brasil por três vezes o professor Fernando Jorge Cardoso, designado pelo reitor da UFP para ser o responsável pelas negociações.
Aproveitando sua última visita e considerando ser ele um expert em assuntos envolvendo o continente africano, a FAAP propôs e ele prontamente aceitou ministrar duas palestras sobre a situação da África: a primeira no Rio de Janeiro, numa promoção conjunta com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), instituição com a qual a FAAP também firmou um convênio de parceria no último mês de março; a segunda em Brasília, numa promoção conjunta com o Instituto Camões, da Embaixada de Portugal. Nas duas oportunidades, o título da palestra foi A África no Sistema Internacional: Desafios e Novos Atores.
No evento do Rio de Janeiro, realizado no dia 12 de maio nas instalações do próprio CEBRI, o auditório recebeu lotação completa, numa platéia constituída de associados, diplomatas, professores e estudantes, na sua maior parte do curso de Relações Internacionais.
No dia seguinte, em Brasília, um público de aproximadamente cento e cinquenta pessoas compareceu à Embaixada de Portugal para ouvir o professor Fernando Jorge Cardoso. Também lá, o público presente incluiu representantes do corpo diplomático, pesquisadores, executivos e, estudantes, além do general de Exército, Sergio Ernesto Alves Conforto, ministro do Superior Tribunal Militar, do diretor do Instituto de Pesquisas de Relações Internacionais (IPRI), embaixador Carlos Henrique Cardim, do professor Georges Landau, do curso de Relações Internacionais da FAAP, e de diversos alunos do curso de pós-graduação Gerente de Cidade, promovido pela FAAP, que se encontra em andamento na capital federal.
O primeiro a se pronunciar foi o embaixador de Portugal, João Salgueiro, que deu as boas vindas aos presentes, realçando sua dupla satisfação em realizar o evento: o primeiro motivo de sua satisfação devia-se à oportunidade de reencontrar o professor Fernando Jorge Cardoso, com o qual teve oportunidade de trabalhar anos antes em Portugal; o segundo, a satisfação em realizar um evento junto com a FAAP, instituição que conhece já a um bom tempo e que aprendeu a respeitar ainda mais a partir de sua designação para servir no Brasil.
Em seguida, fez uso da palavra a presidente do Conselho de Curadores da Fundação Armando Alvares Penteado, Celita Procópio de Carvalho, que depois de contar aos presentes um pouco da história da FAAP, referiu-se à importância da palestra com as seguintes palavras:
“Como todos sabem, uma das características mais marcantes do mundo globalizado é a interligação e a interdependência dos mercados físicos e financeiros em escala planetária. Em consequência disso, e da importância crescente dos países emergentes nos principais fóruns internacionais, seria de se supor que nosso conhecimento sobre os novos atores do sistema internacional fosse generalizado.
Infelizmente, não é ainda o que se observa.  Principalmente com os países da África, que permanece, entre nós, como uma espécie de continente esquecido, lembrado apenas quando nos deparamos com notícias de pobreza e miséria ainda predominantes em extensa parte de seu território.
Os avanços e as contribuições que têm surgido em terras africanas raramente recebem o destaque que seria de se esperar por parte dos meios de comunicação, o que nos deixa, infelizmente, com uma visão desfavorável e – pelo menos parcialmente – distorcida daquele vasto continente.
Diante disso, é com enorme alegria que a FAAP tem o prazer de receber e de trazer a Brasília o professor Fernando Jorge Cardoso, diretor do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais da Universidade Fernando Pessoa, e um dos mais respeitados especialistas em estudos africanos e do desenvolvimento, para nos falar a respeito dos desafios e oportunidades da África nesse momento de reordenação do sistema internacional.”
Em seguida, Celita Procópio de Carvalho agradeceu ao embaixador João Salgueiro e ao diretor do Instituto Camões, conselheiro Adriano Jordão, que, uma vez consultados, cederam gentilmente o espaço para a realização do evento, e ao Centro Brasileiro de Relações Internacionais, um dos mais respeitados think tanks existentes em nosso país.
Encerrando seu pronunciamento, a presidente do Conselho de Curadores da FAAP agradeceu a todos pela presença, com a certeza de que todos sairiam dali, naquela noite, com uma visão mais abrangente dos desafios e das oportunidades da complexa realidade mundial em que vivemos.
Dando prosseguimento ao evento, o vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP, professor Luiz Alberto Machado, fez a apresentação do professor Fernando Jorge Cardoso, que é doutor em Economia, professor catedrático da Universidade Fernando Pessoa, diretor do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais, especialista em estudos africanos e do desenvolvimento, tendo vasta experiência na direção de projetos, sendo os mais recentes com livros editados Europa-África: uma estratégia comum (2008) e Diplomacia, Cooperação e Negócios: o papel dos atores externos em Angola e Moçambique (2007).

O professor Cardoso iniciou sua exposição apresentando alguns dados referentes ao continente africano e, a seguir, dividiu sua fala em quatro partes, cada uma delas voltada mais diretamente a um determinado aspecto da realidade africana.

Na primeira parte, em que focalizou o crescimento econômico recente da região, o professor Cardoso afirmou que as décadas de 1980 e 1990 foram terríveis para boa parte dos países africanos, ao contrário do que vem ocorrendo nos primeiros dez anos deste novo século, quando vários países do continente têm apresentado um crescimento anual médio de 5 a 7%.

Ao tomar conhecimento desse desempenho, muita gente pergunta a que ele se deve e se poderá ser mantido. Segundo o professor Cardoso, por trás desse bom desempenho estão o aumento das exportações de minérios e commodities, de tal forma que uma interrupção das importações teria efeito imediato sobre os países da região. Em outras palavras, a África seguirá crescendo enquanto o mundo estiver crescendo. É por isso que a grave crise econômica que assolou o mundo a partir do final de 2008, circunscrita, principalmente, ao setor financeiro, teve impacto reduzido sobre o desempenho dos países africanos.

Na segunda parte, o professor Cardoso fez referência á existência de graves conflitos em mais de vinte dos 54 países do continente, quarenta e oito dos quais situados na chamada África Subsaariana. Nessa época, houve uma mudança de paradigma no que tange às relações internacionais. Até então, era comum culpar os países desenvolvidos pelos problemas que assolavam a região e discursos e práticas assistencialistas por parte destes últimos eram quase sempre bem recebidos. Com a mudança, praticamente desapareceu a culpabilização dos países desenvolvidos, juntamente com a boa acolhida aos discursos assistencialistas. Em seu lugar, cresceu a consciência de que as relações entre países envolvem negócios e, nesse sentido, discursos e práticas assistencialistas passaram a ser vistos com crescente desconfiança.

Na terceira parte, o professor Cardoso referiu-se á acentuada mudança quanto à percepção da importância estratégica da África em decorrência do fim da Guerra Fria, no início da década de 1990. Sem a disputa entre as duas grandes superpotências observada até então, o continente africano deixou de despertar grande interesse da única potência remanescente, os Estados Unidos da América. A percepção da importância estratégica da região só voltou a crescer depois do atentado ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2001 e de outras ações envolvendo grupos terroristas. Afinal, há fundadas razões para crer que algumas partes do continente africano têm sido utilizadas não apenas para o treinamento de integrantes desses grupos, mas também como pontos importantes pata o tráfico de drogas, armas e diamantes.

Na quarta e última parte de sua palestra, o professor Cardoso fez uma análise do fluxo de investimentos estrangeiros na África e, nesse particular, destacou a expansão e diversificação das inversões chinesas, de longe as que mais crescem no continente. Complementando essa informação, o especialista disse que em comparação com o volume dos investimentos chineses na África, o dos outros integrantes do BRIC – Brasil, Rússia e Índia – são praticamente desprezíveis.

Ao final da palestra, o professor Cardoso colocou-se à disposição dos presentes e permaneceu por longo tempo respondendo as perguntas da plateia.

Terminada essa fase, o professor Luiz Alberto Machado reiterou o agradecimento à presença de todos e os convidou para um vinho de honra servido, em clima de confraternização, nas próprias instalações da Embaixada de Portugal.

Fotos e legendas

 

Foto 1- Professor Fernando Jorge Cardoso e Celita Procópio de Carvalho, presidente do Conselho de Curadores da FAAP.

 

Foto 2 – Embaixador de Portugal, João Salgueiro, fazendo a saudação inicial.

 

Foto 3 – Pronunciamento da presidente do Conselho de Curadores da FAAP, Celita Procópio de Carvalho.

 

Foto 4 – Palestra do professor Fernando Jorge Cardoso, da Universidade Fernando Pessoa.

 

Foto 5 – General de Exército Sergio Ernesto Alves Conforto, ministro do Superior Tribunal Militar, e Celita Procópio de Carvalho, presidente do Conselho de Curadores da FAAP, acompanham atentamente a palestra do professor Fernando Jorge Cardoso.

 

Foto 6 – Luiz Alberto Machado, vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP, encerrando a pelestra do professor Fernando Jorge Cardoso e convidando os presentes para o vinho de honra oferecido nas dependências da própria Embaixada de Portugal.

 

Foto 7 – (Da esquerda para a direita) Professor Fernando Jorge Cardoso, da Universidade Fernando Pessoa, Raphael Gheneim de Camargo, alunos de Relações Internacionais da FAAP, Luiz Alberto Machado, vice-diretor da Faculdade de Economia, embaixador Carlos Henrique Cardim, do Instituto de Pesquisas de Relações Internacionais (IPRI), e Georges Landau, vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI).

 

Foto 8 – Professor Luiz Alberto Machado, vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP e alunos da turma de Brasília do curso de pós-graduação Gerente de Cidade, Marcia Regina, Luiz Gomes, Eleni Ribeiro, Naum xxx, Viviane Moura e xxxx.