Processo Seletivo 2012
Ciências Econômicas
Relações Internacionais
Portaria 40 do MEC
Fórum de Executivos
Aula Inaugural
Revista
Instalações
Pós/MBA/Extensão
Notícias
Ouvidoria
Artigos
Links
Fórum FAAP
Fórum FAAP - Ribeirão Preto
Tour Virtual


 
|
|
|
|
|
|
|
 
 
 


Guy Pfeffermann na FAAP

No dia 20 de março, esteve na FAAP o economista Guy Pfeffermann, da IFC (Corporação Financeira Internacional), entidade ligada ao Banco Mundial. Ao contrário deste, que lida só com o setor público, a IFC cuida de financiamentos a empresas privadas. Pfeffermann é bastante conhecido pelos economistas brasileiros, pois trabalhou vários anos como economista principal da divisão do Banco Mundial para a América Latina. Nessa condição, visitava o Brasil freqüentemente à busca de dados e informações.

Ao ensejo de sua visita, Pfeffermann ministrou palestra aos alunos de Economia e de Relações Internacionais da FAAP, falando em "portunhol" sobre o tema "Perspectivas Econômicas e de Negócios para aos Países em Desenvolvimento".

Começou dizendo que o tema era muito amplo, mas que sua apresentação seria bastante sintética, fazendo lembrar uma história contada por Woody Allen. Este, depois de ter lido o extenso Guerra e Paz, de Tostoy, indagado a respeito resumiu dizendo que era sobre a Rússia.

Sobre a economia mundial, ressaltou que seu fato mais importante é o peso da economia dos EUA, responde por cerca de 32% do Produto Interno Bruto(PIB) do mundo como um todo. Depois vem toda a União Européia(UE), com uma participação perto de 25% e, em seguida, o Japão, com 15%. Fora desse grupo, nenhum tem mais que 5%. Entre estes, os maiores são China (quase 4%), Canadá (cerca de 2%) e só aí aparece o Brasil, com pouco menos de 2%. Esse domínio dos EUA deve se acentuar, pois o país vai continuar crescendo e seus dois seguidores mais próximos, a UE e o Japão não estão fazendo isso. Destacou o Japão, onde tem havido recessão com queda de preços, ou deflação. Isso agrava o problema, pois as pessoas restringem ainda mais suas compras aguardando preços menores. E o japonês é conhecido como grande poupador, ao contrário dos americanos, ávidos consumidores.

Assim, em larga medida o destino econômico mundial depende da alma do consumidor dos EUA. Se ele avança, sobem os preços das matérias primas em todo o mundo, com impacto positivo também nos países mais pobres. Neste momento, a economia daquele país está se recuperando do que passou em 2001, um mau ano. Assim, com a UE e o Japão andando devagar ou para trás, houve nesse ano uma "recessão sincronizada". Discute-se muito se ela está de fato acabando e há outros fatores que vêm gerando incertezas, como o problema do terrorismo, a duração do ciclo de desenvolvimento baseado na alta tecnologia, a situação de países como a Argentina e a Turquia e o protecionismo europeu e dos EUA. Continuou ressaltando que o Brasil deve estar atento a esses movimentos, pois também afetam a economia do país.

Passando a outro assunto de interesse do Brasil, o dos fluxos de capitais para os países em desenvolvimento, mostrou que em 1998 e 1999 houve forte contração dos investimentos em "portfolio" e dos empréstimos ao setor privado, com fraca recuperação nos dois últimos anos. Já os investimentos diretos têm ficado mais estáveis. O Brasil continua atraindo esses investimentos, mas com menor ímpeto depois que as privatizações foram interrompidas e também por conta do seu reduzido crescimento, como no ano passado, e de incertezas diversas sobre o desempenho futuro da economia.

Mostrou os vários fatores que pesam sobre os vários fluxos de capitais, como o "investment grade" dos diversos papéis, no caso dos investimentos de "portfolio", e as privatizações, no caso dos investimentos diretos. O risco de cada país e a contaminação de uns pelos riscos dos outros também têm influência. Apesar dos pesares, uma boa notícia em 2001 foi que o risco da Argentina não contaminou o mercado, ao contrário do que aconteceu com os problemas enfrentados pelo Brasil e pela Rússia no final da década passada.

Na seqüência, passou a um tema de interesse permanente entre economistas e formuladores de políticas públicas, qual seja, o dos fatores que levam ao crescimento econômico, fundamentando suas colocações no recente livro de Bill Easterly, "The Elusive Quest for Growth" (MIT Press, 2001). Esse livro fez uma análise retrospectiva de 147 países e concluiu que nenhum fator isolado leva ao crescimento, mas há algumas lições que são confirmadas, como a de que a qualidade do investimento é fundamental. Há também os diversos fatores que contribuem para um bom "clima de negócios". Os países devem fazer uma série de perguntas sobre esse clima e citou mais de vinte, entre elas a gestão macroeconômica do país, a legislação que regula as sociedades anônimas, a lei de falência, o tratamento dado ao capital estrangeiro e as características do sistema tributário. Aspectos como esses devem ser estruturados no sentido de incentivar negócios e não de desencorajá-los, como fazem muitos países.

Quanto aos modelos de desenvolvimento em moda, ressaltou que a fórmula asiática não mais funciona. Ela incentivava exportações, com o governo controlando o setor financeiro. Verificou-se também que os países da região poupam muito, mas não sabem onde investir. A governança corporativa das empresas e dos bancos é muito ruim. Tem havido fuga ilegal de capitais e seria maior se permitida.

Passando à América Latina, destacou que nessa região o papel do governo é muito importante e, quando não funciona bem, seu peso é prejudicial. Comparou o crescimento da região com o dos EUA e mostrou que nas décadas de 50 e 60 e, principalmente na de 70, era bem maior que o americano. Nos anos 80 foi bem menor e, na década passada, foi aproximadamente o mesmo. Com as reformas realizadas nas duas últimas décadas, países como o Brasil podem voltar a crescer mais rápido, mas será preciso muita competência e empenho para conduzi-los nessa direção.

Caminhando para a conclusão, teceu breves comentários sobre os países do Oriente-Médio, afirmando que sofrem duas dificuldades básicas, a "praga dos recursos naturais" dada pela disponibilidade de petróleo, e o estatismo arraigado, problemas que também afetam nosso vizinho, a Venezuela. Referiu-se também aos países do Leste Europeu, chamados de economias em transição, assinalando que os países que fizeram uma transição mais radical estão se saindo melhor. Os outros são como vinhos velhos em garrafas novas. Concluiu com o caso dos países da África abaixo do Saara, que têm os problemas mais intratáveis: mercados pequenos, firmas pequenas, AIDS endêmica, e alguns sofrem também a "praga dos recursos naturais", com a sobrevivência muito baseada no paternalismo e atividades ilegais. Há grande dependência de ajuda externa que, entretanto, vem fluindo apenas para o setor público e não promove o desenvolvimento.

Convidado como debatedor, o economista Fernando Ribeiro, da Sociedade Brasileira de Estudos das Empresas Transnacionais(SOBEET), fez vários comentários sobre a importância, para a economia brasileira, do fim da "recessão sincronizada" que envolveu os EUA, a UE e o Japão no ano passado. Assinalou os vários sinais que apontam na direção da recuperação da economia americana, como os estímulos à demanda pelo lado fiscal e pelos juros mais baixos, e o aumento da produtividade pelo lado da oferta. No Brasil, a desvalorização ajudou a reduzir a vulnerabilidade externa e assinalou também que os investimentos diretos estão agora vindo para a indústria. Anteriormente vinham mais para telecomunicações, bancos e outros setores não voltados para exportação. Agora, o Brasil tem mais chance de crescer suas exportações como o fizeram o México, a Coréia do Sul e outros países.

O tema da palestra de Pfeffermann atraiu bastante o interesse dos alunos presentes, pois abordou questões econômicas subjacentes às relações internacionais. O palestrante foi também alvo de várias perguntas e muito aplaudido ao concluir.