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Lançamento de livro e DVD sobre a história do movimento sindical brasileiro na FAAP

Exatamente um ano após a realização do seminário sobre os 100 anos do movimento sindical no Brasil, promovido pela União Geral dos Trabalhadores (UGT) nas dependências da FAAP, ocorreu, no dia 20 de maio último, o lançamento do livro e do DVD contendo a íntegra das apresentações feitas pelos palestrantes do  evento de 2009, tendo por tema geral 100 Anos de Movimento Sindical no Brasil: Balanço Histórico e Desafios Futuros.

Como foi salientado há um ano, o objetivo do Seminário era não apenas realizar um balanço histórico da experiência sindical do século XX, mas também – com a colaboração do mundo acadêmico – apontar novos horizontes de lutas e conquistas para o século XXI.

A transformação do material do Seminário em livro e DVD mostra a seriedade de propósitos da UGT, uma vez que não são poucos os eventos realizados com essa mesma proposta que não chegam a ser concretizados. Só quem conhece o trabalho envolvido na edição de um livro e na produção de um DVD com tal volume de material é capaz de avaliar o esforço e o trabalho que a empreitada exige.

A exemplo do que ocorrera um ano antes, a FAAP teve a honra de receber centenas de lideranças sindicais de todo o Brasil, uma vez que a UGT encontra-se já estruturada em 20 estados e havia representantes de todos eles participando do evento.

Abrindo a sessão, o vice-diretor da Faculdade de Economia, professor Luiz Alberto Machado, saudou a todos, em nome da FAAP, reafirmando a satisfação da Fundação de voltar a merecer a confiança da direção da UGT para o lançamento do livro e do DVD.

Na sequência, deram seus depoimentos Chiquinho Pereira, secretário de Organização e Políticas Sindicais da UGT, José Roberto de Melo, superintendente Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo, Roberto Freire, presidente nacional do Partido Popular Socialista (PPS), Antonio de Sousa Ramalho, da Força Sindical, Tadeu Moraes, presidente (licenciado) do DIEESE, Laerte Teixeira, vice-presidente da UGT, Cleonice Caetano Souza, secretária de Saúde e Segurança no Trabalho da UGT, Fátima Cristina Faria Palmieri, secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da UGT, José Carlos Arouca, juiz do Tribunal Regional do Trabalho, que falou em nome de todos os palestrantes do Seminário sobre os 100 anos do Movimento Sindical no Brasil, Canindé Pegado, secretário-geral da UGT, e Ricardo Patah, presidente da UGT.

Concluída a sessão de abertura, teve lugar um painel que teve por tema Uma agenda democrática de desenvolvimento para o Brasil, com a participação dos professores Paulo Ribeiro Rodrigues Cunha, da UNESP, Luiz Werneck Vianna, do IUPERJ, e Luiz Alberto Machado, da FAAP.

Falando em primeiro lugar, o professor Machado destacou os três fatores que contribuíram para a melhora da imagem do Brasil no mundo: a redemocratização, ocorrida em meados da década de 1980; a abertura da economia, no início da década de 1990; e a estabilização da nossa economia, a partir do Plano Real, em 1994. Não apenas por causa deles, mas também graças a eles, o Brasil deixa a condição de um dos países menos recomendados para investimentos estrangeiros e atinge a condição de grau de investimento (investment grade), de acordo com as mais importantes agências internacionais de avaliação de risco. Ademais, a estabilidade da moeda restituiu a previsibilidade à nossa economia e significou a incorporação de milhões de brasileiros ao mercado de trabalho e à condição de consumidores, resgatando em parte sua dignidade e sua cidadania. Porém, apesar dessa mudança e dos bons indicadores econômicos do presente, dois grandes desafios permanecem muito sérios, a educação e os elevados níveis de pobreza e desigualdade. Esses desafios terão de ser encarados com prioridade absoluta pelos próximos governantes, sejam eles quais forem, pois têm peso significativo para as perspectivas de médio e longo prazos do nosso país.

O professor Paulo Ribeiro Rodrigues, por sua vez, realçou em sua exposição a falta de um projeto nacional com participação popular mais ativa nas discussões que tem sido  travadas mais recentemente no Brasil. Nesse sentido, reforçou o que havia apresentado no Seminário de 2009, cujo conclusão era: “O diferencial maior neste processo contemporâneo (embora, sejamos realistas, nada isento de risco de retrocesso) é também uma lição da tragédia – o golpe civil-militar e a farsa subsequente – a via autoritária ou ditatorial como mecanismo de superação. Leia-se, há o desafio de que podemos viabilizar processos de reformas abdicando da democracia. Ao que tudo indica, a democracia é a conquista maior que temos que apreender desta fase e a lição a ser cultivada como princípio presente e futuro. Com seu aprofundamento, que também não haja saudosismos da volta do que já passou. Acredito que a lição maior que temos como uma possibilidade concreta de superação desse status quo, é o aprofundamento do processo democrático, associando a ela o componente popular. Este é o desafio posto que ainda se apresenta à construção da nação brasileira”. 

Já o professor Luiz Werneck Vianna, um dos mais conceituados cientistas políticos do País e que prefacia o livro ora lançado, optou por enfatizar o papel do sindicalismo como uma das maiores e melhores expressões da sociedade civil organizada no Brasil. Lembrando da importância histórica dos sindicatos em momentos críticos da vida nacional, inclusive como um decidido opositor ao regime militar, Werneck Vianna afirmou que essa presença firma nas horas críticas garantiu ao sindicalismo e aos seus temas um papel destacado nos debates constituintes e na votação da nova Carta. Em consequência disso, em oposição às Cartas anteriores que remetiam os direitos sociais à ordem econômica e social, a Constituição de 1988 reservou lugar nobre aos direitos sociais, o Título II, que trata dos Direitos e Garantias Fundamentais. Werneck Vianna concluiu dizendo que apesar dos avanços democráticos conquistados, algumas estruturas herdadas da chamada Era Vargas não desapareceram e, em razão disso, as marchas e contramarchas da conjuntura fazem com que paire como uma ameaça velada o risco de um novo distanciamento dos sindicatos de suas bases. É fundamental evitar esse risco a qualquer custo.

O professor Roberto Macedo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e atual assessor da Diretoria da Faculdade de Economia da FAAP, um dos palestrantes do Seminário do ano passado, havia afirmado, na época, que o evento foi um marco importante do relacionamento entre o movimento sindical e o meio acadêmico e que seria ainda maior se aquela iniciativa se desdobrasse num estreitamento dessa interação de modo permanente.

Odilon Guedes e Marina Gusmão de Mendonça, também professores da FAAP e participantes daquele Seminário, estiveram presentes ao lançamento do livro e do DVD e, com indisfarçável satisfação, viram na escolha da FAAP para ser palco deste lançamento um sinal inequívoco do acerto do presságio feito por Roberto Macedo. Ambos estão de acordo quanto à importância da continuidade desse relacionamento. E afirmam em tom conclusivo: “Todos têm só a ganhar: os trabalhadores e suas lideranças de um lado; os alunos e professores de outro”.

 

Fotos e legendas 



Foto 1 – Capa do livro sobre os 100 anos de Movimento Sindical no Brasil.

 



Foto 2 – Professor Luiz Alberto Machado, vice-diretor da Faculdade de Economia, dando as boas vindas, em nome da FAAP, aos participantes do evento.

 



Foto 3 – Pronunciamento do vive-presidente da UGT, Laerte Teixeira da Costa, ex-aluno do curso de pós-graduação Gerente de Cidade, uma das marcas registradas da FAAP.

 



Foto 4 – Flagrante da fala do presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire, tendo a seu lado o secretário de Organização e Políticas Sindicais da UGT, Chiquinho Pereira, e o presidente da UGT, Ricardo Patah.

 



Foto 5 – O juiz do Tribunal Regional do Trabalho, José Carlos Arouca, falou em nome de todos os palestrantes do Seminário sobre os 100 anos do Movimento Sindical no Brasil.

 



Foto 6 - José Roberto de Melo, superintendente Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo.

 



Foto 7 – Tomada geral do auditório principal da FAAP, completamente lotado.

 



Foto 8 – Em seu depoimento, o presidente da UGT, Ricardo Patah, agradeceu a FAAP pela parceria no Seminário sobre os 100 anos do Movimento Sindical no Brasil.

 



Foto 9 - Luiz Werneck Vianna, do IUPERJ, Chiquinho Pereira Ricardo Patah e Canindé Pegado, da UGT, Luiz Alberto Machado, da FAAP, e Paulo Ribeiro Rodrigues Cunha, da UNESP, durante o painel Uma Agenda Democrática de Desenvolvimento para o Brasil.

 



Foto 10 – Depois de mediar os debates, Canindé Pegado, secretário-geral da UGT, fala sobre a importância do livro sobre os 100 anos do Movimento Sindical no Brasil.

 



Foto 11 – Ricardo Patah, presidente da UGT, encerrando o evento de lançamento do livro e do DVD sobre os 100 anos do Movimento Sindical no Brasil.

 



Foto 12 – Professor Luiz Werneck Vianna, do IUPERJ, Eduardo Rocha da Silveira, assessor econômico da UGT, professor Luiz Alberto Machado, da FAAP, Roga Martins, assessor da UGT, e Ricardo Patah, presidente da UGT, logo após o encerramento do evento.