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O futuro da primavera árabe

O Diretório Acadêmico Roberto Simonsen, que reúne os estudantes de Economia e Relações Internacionais teve a iniciativa de organizar uma palestra no dia 28 de abril, quando a FAAP teve o prazer de receber para discutir a Primavera Árabe o atual correspondente de O Estado de São Paulo em Nova York, Gustavo Chacra. Até 2009, o jornalista era o responsável pela cobertura do jornal no Oriente Médio, ficando baseado em países como Líbano, Síria e Israel.

O debate com os alunos foi realizado num momento em que se acentuam as revoltas da população síria, iemenita, líbia e também de Bahrein. Estes movimentos, iniciados na Tunísia, vêm alterando a lógica da geopolítica na região nos últimos meses. Depois de décadas de apatia popular, revoltas já resultaram na queda do ditador egípcio Hosni Mubarak  e do tunisiano Zine al-Abidine Ben Ali.

Os dois países seguem lentamente em transição para a democracia, apesar de alguns obstáculos não garantirem que este ideal defendido pelos povos nas ruas será alcançado. Na Síria, Iêmen, Bahrein e Líbia, o impasse ainda permanece e o debate maior se dá não na possibilidade de democratização, mas de risco de guerra civil. No caso líbio, já começou. Nas outras nações, é iminente diante da morte de milhares de pessoas e o armamento de grupos opositores.

Outros países da região, como a Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes e Qatar, ainda não enfrentam levantes. As manifestações também perderam o momento no Marrocos, Argélia e Omã. Líbano e Iraque não são governados por regimes ditatoriais ou monarquias absolutistas, ainda que não sejam totalmente democráticos para os padrões ocidentais.

Os levantes tiveram demandas comuns nos diferentes países, como o pedido pela democracia e melhoras na economia. Mas há características particulares em alguns deles. No Iêmen, conta a divisão tribal e a separação geográfica, assim como na Líbia. Síria e Bahrein possuem disputas sectárias.

A falta da diversificação da economia destes países acabou limitando o desenvolvimento. No campo político, estes regimes ditatoriais impediram a formação de uma sociedade civil, restringindo a perspectiva de crescimento da sociedade.

A falta de perspectiva de futuro dos jovens junto com a insatisfação pela falta de progresso nas esferas sociais, políticas e econômicas levou a um anseio pelo fim destes regimes. Porém, apesar desta insatisfação, era preciso ocorrer a mobilização da sociedade para coordenar população para exigir mudanças. Nesse sentido redes sociais como Twitter, Facebook e SMS foram indispensáveis para a mobilização.

Chacra levantou pontos importantes que precisam ser analisados para definir o rumo da Primavera Árabe entre os quais a situação interna da Síria e Arábia Saudita, a união entre Fatah e Hamas e a força dos movimentos religiosos, como a Irmandade Mulçumana, no processo da reestruturação política destes países.

O recado que estas sociedades árabes passaram para o mundo foi do desejo de encontrarem um modelo político que respeite os costumes e os interesses, sem a presença de ditadores. Assim, a vontade de construir um país próspero com perspectivas de crescimento e respeito aos direitos humanos foi o combustível para a transformação no Oriente Médio.

 


Flagrante da palestra do Gustavo Chacra.

 


Maria Carolina Lacombe, Prof. Guilherme Stolle Paixão e Casarões e Gustavo Chacra.