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A visita de HSH Principe Alberto de Mônaco
Marcus Vinícius de Freitas¹
Como parte da programação da visita de Sua Alteza, Príncipe Alberto de Mônaco, ao Brasil, houve encontro e compartilhamento de experiências com alunos da Faculdade de Economia da FAAP, particularmente aqueles da área de Relações Internacionais. Escolhidos com base no mérito de suas notas durante o curso, 31 alunos tiveram a oportunidade de discutir os principais desafios enfrentados por Mônaco, seu papel na Europa, a questão da Monarquia como forma de governo e o importante papel de sua fundação.
Inicialmente, Sua Alteza abordou a situação de Mônaco, um microestado localizado no Sul da França, fundado em 1297, que, com cerca de dois quilômetros quadrados, é o segundo menor Estado do mundo, atrás do Vaticano, e também o que tem maior densidade populacional no planeta. Mônaco - governado há sete séculos pela Família Grimaldi - é uma das 48 monarquias ainda existentes no mundo. Na apresentação inicial, Sua Alteza destacou pontos relevantes sobre a economia de Mônaco, reconhecendo que, a despeito da crença comum, a economia monegasca é muito pouco baseada no do jogo, em razão dos seus famosos e tradicionais cassinos.
O principal elemento da economia é o turismo, além do fato de atrair vários investidores estrangeiros em razão da não cobrança de impostos sobre a renda. Este elemento atrai indivíduos de alta capacidade financeira, o que impactua diretamente o pequeno Estado, elevando sobremaneira o custo de vida do país.
Sua Alteza explicou sobre as múltiplas atividades exercidas por sua fundação, estabelecida com o propósito de proteger o meio ambiente, através do desenvolvimento sustentável, por meio da implementação de ações concretas para tratar de três importantes desafios: mudança climática, biodiversidade e água.
Ao ser questionado sobre a razão de estabelecer tal fundação, Sua Alteza afirmou que o objetivo sempre presente do projeto é servir como um acelerador de projetos e soluções para o meio ambiente, que sejam inovadoras e tenham uma fundamentação ética, numa escala global, através da utilização de redes de pesquisadores, empresas e indíviduos dispostos a trabalhar num objetivo comum.
Para tanto, afirmou ele, os membros de seu Conselho Diretor reúnem os melhores especialistas em suas áreas de atuação, enfatizando a enorme contribuição do Embaixador Rubens Ricupero, membro do Conselho Diretor, à Fundação. Sua Alteza ainda mencionou os vários desafios enfrentados inicialmente, particularmente a importância de vencer tais obstáculos com o desejo de, efetivamente, deixar um legado de contribuição ao meio ambiente.
Foi-lhe então perguntado sobre a função de Monarca. Sua Alteza reconheceu a importância do papel de liderança necessária para justificar sua posição, além de sua busca constante no sentido de atingir os objetivos traçados para o progresso e desenvolvimento do Principado. Apesar de alguns sustentarem a questão de que as monarquias são coisas do passado, Sua Alteza enfatizou a importância deste regime de governo, de maior sustentabilidade democrática e – apesar do pensamento contrário – menos oneroso, além da busca constante do processo de legitimação da autoridade.
Ao final, Sua Alteza afirmou existirem sinergias entre Mônaco e o Brasil, dois países que, apesar de tão díspares no tocante ao tamanho de sua superfície terrestre, possuem, no entanto, o interesse comum da preservação do meio ambiente, solidificação democrática e a paz mundial como elementos essenciais de suas práticas políticas.
A visita de Sua Alteza estimulou muitos dos estudantes a procurarem instruir-se mais aprofundamente a respeito deste pequeno país europeu, no sentido de buscarem maiores sinergias e eventuais oportunidades profissionais nas relações bilaterais e, também, na questão da proteção ao meio ambiente, um patrimônio fundamental da humanidade.
¹ Professor de Direito e Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado


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