ESCOLHAS DELICADAS - PROF. RENATO BERNHOEFT

 


Renato Bernhoeft, Consultor de empresas.
Presidente das organizações Bernhoeft.

Membro do FBN - Family Business Network

 

Quando analisamos certas profissões nem sempre conseguimos avaliar todos os riscos e complexidade que as envolve. Esta foi uma das sensações quando tomei conhecimento da pesquisa feita pelo Prof. Paulo Fortes, livre docente da Faculdade Pública de São Paulo sobre os critérios que devem ser adotados pelos médicos que atendem emergências em hospitais públicos. A pergunta central é se deve haver algum critério de preferência ou prioridade no atendimento.

O ineditismo da pesquisa é que ela foi realizada com a população e não com a classe médica. Segundo suas conclusões, a população demonstrou um forte espírito de solidariedade.

Exemplos: para os entrevistados os mais pobres devem ter preferência. Um idoso dever ser atendido antes de um jovem. Um desempregado antes de um empregado. O que está longe de casa antes de um morador do bairro. E segundo o Prof. Fortes, critérios até opostos aos utilizados pelos médicos.

Uma constatação interessante: o conformismo dos pacientes com os critérios adotados pelos médicos. Isto não é comum em outros países. Os resultados mostram ainda um dado curioso: a população condena os alcoólatras e é condescendente com os fumantes pela reação frente à urgência no atendimento médico.

Na opinião dos médicos esta decisão é sempre muito difícil, pois é tomada sob forte pressão de todos que buscam atendimento, além da precariedade de recursos que os mesmos dispõem nos postos de atendimento.

O que desejo registrar neste comentário é o fato que nem sempre temos uma visão da complexidade das diferentes profissões. Isto vale para um comandante de avião, um motorista de ônibus lotado, o comandante de uma unidade policial, bombeiros ou profissões que lidam com públicos e condições de alto risco e exigência.

Vale sempre procurar conhecer um pouco mais sobre as inúmeras atividades que compõem nosso universo comunitário e profissional. Quem sabe nos tornemos melhores cidadãos.