I Provavelmente jamais imaginou que sua obra teria, 5
séculos mais tarde, a importância que amealhou nos
meios acadêmicos e empresariais, muito menos que a
aplicação de suas idéias fosse possível em organizações
outras que não os principados de outrora.
De seu nome surgiu o adjetivo “maquiavélico” que
usualmente designa político ou administrador ardiloso,
que pratica maldades sem escrúpulo ou ressentimento
para atingir objetivos e interesses pessoais.
Trata-se de adjetivação nem sempre justa, pois o que
Maquiavel escreveu pode ser aplicado com propriedade
no exercício da liderança, sem prejudicar liderados,
concorrentes ou clientes.
Já Max Weber, pensador alemão de formação eclética,
que transitou por diversas ciências, notadamente
economia, política e sociologia, com igual desenvoltura,
legou-nos, dentre outras teses, o “idealtipo” de
organização burocrática ainda muito empregado, correta
e incorretamente, tanto na esfera pública como privada.
Neste breve estudo, trechos das obras ou idéias desses
dois pensadores serão destacados para se estabelecer um
paralelo com modelos de gestão praticados por líderes
organizacionais.
Maquiavel
De Maquiavel, foram selecionadas algumas passagens
de “O Príncipe”, saber:
Cap 2 – Dos principados hereditários
“O príncipe que tiver aptidão vulgar manterá seu
Estado. É mais fácil conservar os Estados pelos
principados hereditários (posse antiga). O príncipe
natural quase não tem causas para ofender seus súditos.
A mutação deixa sempre a esperança de nova mutação”.
Essa passagem é comparável ao gerente que ascende
ao cargo por sucessivas promoções versus o profissional
contratado por indicação, para implementar mudanças e
“salvar” a organização. Se, ao primeiro, creditam-se os
méritos de ser “prata da casa” e as suspeitas de estar
viciado com a estrutura, o último será sempre testado,
pelos chefes e pelos liderados e, se não demonstrar
competência de imediato, gerará a expectativa por novas
mudanças. O gerente promovido, por vezes afasta
colaboradores, sob o pretexto de “limpeza” ou
arrumação da casa. Quem chega de fora, tende a demitir
membros da equipe, as cobranças da organização.
Cap 3 – Dos principados mistos
“Para prosseguir com toda a segurança, basta
extinguir toda a linhagem do príncipe que governava.
Quando se conquistam Estados de linguagem, costumes
e governos diferentes, fica difícil mantê-los.
Uma boa fórmula é o príncipe ir lá residir, pois
poderá assim ver imediatamente as desordens e então
sufocá-las. O país é menos pilhado pelos ministros.
Outra fórmula é enviar colônias para alguns dos lugares
conquistados. Terá de lesar alguns para tirar-lhes terras
para dar aos colonos. Os lesados, dispersos e pobres, não
o incomodarão. Os demais, por temor, também não
incomodarão. Deve-se então animar ou matar os
homens, pois eles se vingam das pequenas ofensas, mas
não podem se vingar das grandes. Assim, o mal que se
fizer aos homens deve ser tal que não se tema a vingança.
Se, em vez de colônias, mantiver exércitos, gastará mais
e ofenderá mais os habitantes.”
A analogia é muito comum hoje em dia, nos casos de
fusões e aquisições, principalmente quando envolve
organizações de países diferentes. Brasileiros atingidos
por privatizações com aquisições por grupos estrangeiros
conhecem bem esse fato. A empresa adquirente sempre
coloca nos cargos chaves na empresa adquirida algumas
pessoas da confiança da cúpula. Mas precisa manter
gente antiga, tanto para que lhes indiquem os caminhos,
como para tentar demonstrar que não vão demitir em
massa.
Havendo dúvida ou possibilidade de confronto, é
mais prático demitir todo um departamento do que
manter remanescentes rancorosos e condoídos pelas
maldades feitas aos antigos colegas. Há uma espécie de
“patriotismo” organizacional, semelhante ao caso da
venda do Banespa ao Santander, onde pessoas que lá
trabalharam durante décadas, e até mesmo exfuncionários,
já aposentados, unem-se para protestar,
tanto contra o governo, pela decisão da venda, quanto
contra o banco adquirente.
Cap 5 – Como se deve governar os principados que,
antes de serem conquistados, viviam segundo suas
leis.
“Destruir os países; Ir para lá e lá viver; Deixá-los
viver segundo suas leis e cobrar tributo depois de formar um governo de poucas pessoas e conservar sua amizade”.
Às vezes a importância de uma aquisição reside na
imagem e na reputação da empresa adquirida. Neste
caso, é comum o adquirente manter o nome original do
adquirido e cobrar participação nos negócios gerados. Às
vezes, o que mais interessa são as instalações do que o
nome. Neste caso, a marca é imediatamente alterada e
ocupam-se os espaços. Faz-se o mesmo quando a
aquisição visa mais eliminar um concorrente do que
ampliar os negócios, a exemplo do que acaba de fazer a
empresa Folha da Manhã ao adquirir o jornal Vale
Paraibano. Liquidou-o e utiliza suas instalações para
imprimir a Folha Vale do Paraíba.
Cap 6 – Os principados novos adquiridos pelas suas
próprias armas e pelos seus talentos
“Não há coisa mais difícil de se tratar e de êxito mais
duvidoso nem de manejo mais perigoso do que
aventurar-se alguém a impor novas instituições, pois
aqueles que as impõe têm como inimigos todos a quem
a ordem antiga aproveitava e como tíbios defensores
apenas os que poderão se aproveitar da nova.
A tibeza resulta do medo aos adversários e da
incredulidade dos homens que não acreditam
verdadeiramente numa coisa nova enquanto não vêem
realizada uma experiência firme. Todos os profetas bem
armados saíram-se vencedores e os desarmados
vencidos.”
Pensamento de grande aplicação em tempos de
mudanças constantes. É muito difícil liderar uma equipe,
um departamento ou uma empresa inteira num processo
de mudança. Basta iniciar uma mudança, ainda que
correta e inevitável, para se amealhar inúmeros
adversários até então vivendo na “zona de conforto”.
Será preciso tratar a muitos como Cristo tratou a São
Tomé, ou seja, mostrar o perigo atual e as possibilidades
de sucesso da mudança para que acreditem nela.
Somente líderes bem preparados têm sucesso nas
mudanças.
Cap 7 – Dos principados novos que se obtém pela
força e pela sorte alheia
“Pode ser fácil conquistar, mas é difícil manter. São
príncipes novos, sabem manter, a não ser por singular
virtú, ou não dispõem de forças fiéis. Não têm tempo de
criar raízes.
Engana-se aquele que pensa que entre grandes
personagens as benfeitorias recentes fazem esquecer as
antigas ofensas.”
É o caso clássico de quem ascende graças à
infelicidade do antecessor. Se não restar claro a não
participação na desgraça alheia e se não for o novo líder
muito bom, não terá sucesso. É o mesmo o destino
daquele que, para chegar ao cargo de comando, praticou
maldades, injustiças e delação. Ainda que prometa
comportamento leal e honesto, a lembrança das antigas
ofensas estará viva nas mentes dos subordinados.
Cap 8 – Daqueles que chegam ao principado pela
perfídia
“Há duas maneiras de se chegar ao principado sem
ser pelo talento ou sorte:
a) Por meio pérfido ou criminoso.
b) Por favor de outros cidadãos.
Ao se apoderar de um país, convém ao ocupante
pensar em todas as crueldades de uma só vez e não voltar
a praticá-las, para tranqüilizar os homens e conquistá-los
por seus benefícios.”
Qualquer que seja o caminho para o cargo de
comando, se houver demissão a ser feita, que se faça de
pronto. Não é bem vista a atitude de “fritar” pessoas, ou
seja, pressionar até que peçam demissão. Feito o “serviço
sujo”, deve o chefe passar a gerenciar com competência
e justiça.
Se o caminho envolveu apadrinhamento ou método
ardiloso, mais um motivo para o chefe eliminar de vez
quem o ameaça. Como o tempo, os remanescentes
acabam se acostumando com a antiga lei: “Manda quem
pode, obedece quem tem juízo”.
Cap 9 – Do principado civil
“Alguém que se torna príncipe pelo favor de seus
cidadãos ou pelos grandes, disso resulta: principado,
liberdade ou desregramento. Quem chegar a príncipe
com a ajuda do povo, deve conservar sempre sua
amizade. Quem chegar a príncipe contra o povo, pelo
favor dos grandes, deve esforçar-se por aliciar o povo”.
Em muitas organizações pratica-se a gestão
participativa e, em algumas, os subordinados também
opinam sobre a escolha do novo chefe. É inegável que
aquele que ascende ao cargo por esse caminho, sente-se
prestigiado, porém com o dever moral de manter a
amizade com os subordinados. Se não souber se impor,
algum subordinado pode vir a “cobrar” favores em troca
do apoio dado.
Quem ascende ao cargo por imposição superior, deve
o quando antes conquistar a confiança dos subordinados
e mostrar a que veio.
12 – Quantas espécies há de guerreiros e soldados
mercenários
“Os principais alicerces de todos os Estados são as
boas leis e as boas armas. Não é bom assentar a segurança
em armas mercenárias.”
Esta passagem se aplica ao empresário que, em vez de
prestigiar a “prata da casa”, dá ouvidos constantes às opiniões de consultores externos ou assessores
bajuladores, nem sempre comprometidos com os
objetivos da organização e que, muitas vezes, ganha
pequenas fortunas para propor aquilo que os
empregados já conheciam, praticavam ou haviam
sugerido.
Aquele que assenta sua gestão exclusivamente no
apoio externo corre o risco de perder tudo pelo não
envolvimento da equipe e pelo desaparecimento de
quem consultou sem envolvimento.
Os consultores externos são bem vindos apenas se
auxiliam e capacitam as equipes a andar pelas próprias
pernas quando seu trabalho se encerrar.
Cap 13 – Dos soldados auxiliares, mistos ou
próprios.
“Armas auxiliares podem ser boas e proveitosas, mas
são quase sempre ruins: quem perde, fica vencido; se
ganha, fica prisioneiro delas. Nos exércitos mercenários,
a preguiça e a covardia no combate são o maior perigo.
Nos auxiliares, o maior perigo é a valentia. Armas alheias,
ou nos caem nas costas, ou nos pesam, ou nos apertam.”
É o caso da constante comparação entre criar a
estrutura e fazer o serviço versus terceirizar ou manter
mão de obra temporária constantemente. Terceizados e
mão de obra temporária nunca assumem realmente os
objetivos da organização contratante por não terem
vínculos e serem passageiros.
Cap 14 – Do que respeita ao príncipe no tocante à guerra.
“Os príncipes perdem seus Estados quando se
dedicam mais à voluptuosidade do que às armas. Ele
nunca deve afastar o pensamento do exercício da guerra,
o que se consegue pelas obras e pelo espírito”.
Ainda há muitos empresários que confundem
p ropriedade com gestão. Quando isso acontece, as
conseqüências são normalmente desastrosas. Misturam a
conta bancária da pessoa jurídica com a da pessoa física,
compram bens de uso particular com o orçamento da
empresa e nem sempre mantém o pensamento nos
negócios. Exploram e sufocam as próprias empresas. Há
muitas empresas semi-falidas em mãos de empresários
ricos.
Cão 15 – Das coisas pelas quais os homens e
sobretudo os príncipes ganham censura ou louvor.
“O príncipe que deseja manter sua posição precisa
também aprender a não ser bom e a servir ou não dessa
faculdade de acordo com a necessidade”.
Trata-se do popular adágio “ninguém admira um
chefe frouxo”. Por mais que isso possa doer, um chefe
tem de saber usar o poder e a força quando necessários,
ou seja, combinar de modo apropriado, nas palavras de
Douglas McGregor, os estilos “X” e “Y”. Muita conversa
e pouca ação passa a idéia de fraqueza e compromete o
resultado. Os gerentes não existem para fazer relações
públicas com seus subordinados, mas para garantir os
objetivos.
Cap 17 – Da crueldade e da clemência e de qual é melhor: ser amado ou temido
“Todo príncipe deve desejar ser compassivo e não
cruel. O príncipe novo é o que tem maior dificuldade em
evitar a fama de cruel. Se só se puder ser uma coisa, é
menos mal ser temido que amado. Amizade que se
conquista com dinheiro e não com o coração de nada
servirá quando dela precisarmos. Os homens hesitarão
menos em prejudicar um homem amado que um temido.
O príncipe deve se fazer temer, pois, se não conseguir a
amizade, fugirá à inimizade. Deve se abster de tocar nos
bens de outrem, porque os homens esquecem mais
depressa a morte de seu pai do que a perda do
patrimônio. Nunca faltarão ocasiões para se confiscar os
bens”.
Estas idéias referem-se novamente à chegada de um
novo líder, às expectativas e às respostas dos
subordinados. Exceção feita àqueles que chegam com a
missão de “fazer uma limpeza” na organização, e por isso
já chegam temidos, aparentemente a maioria dos líderes
recém chegados é orientada a conquistar de imediato a
simpatia dos colegas e dos subordinados, ou seja, devem
ser amados. Se não for possível, tentam ser (ou se passar
por) temidos, forma muito usual de impor respeito (pela
ameaça). Acabará transformando em amigos “pro
tempore” eventuais inimigos.
Porém, conquistar simpatias (amizades) por meio de
promessas de recompensas, de nada valerá quando
precisar realmente delas. É melhor conquistá-las pela
competência.
De certa forma, o texto também se aplica à eterna
insatisfação dos subordinados e à facilidade com que
renderão vassalagem a um novo líder.
Cap 18 – Como os príncipes devem honrar sua
palavra
“Existem 2 maneiras de se combater: pelas leis e pela
força. A primeira é própria dos homens e a segunda dos
animais. O príncipe precisa saber ser animal e homem.
Os homens são tão simples e tão obedientes às
necessidades do momento que quem engana encontra
sempre quem se deixa enganar. Se não tiver tais
qualidades, convém ao príncipe parecer que as tenha. O
príncipe deve evitar que saia de sua boca palavra que não
tenha as qualidades: misericórdia, fidelidade, integridade
e religião.”
O líder deve agir de acordo com o regulamento. E
também com toda a força que seu cargo permitir,
principalmente em situações onde o regulamento é fraco
ou omisso. “Quando o navio está afundando, o
comandante dá ordens, não convoca reuniões”, diz Peter
Drucker, um dos maiores pensadores da administração
do século XX. Não deve também o líder prometer o que
não pode cumprir, nem contratar o que não puder
entregar.
Cap 25 – Quanto pode a sorte nas coisas humanas e
como é possível fazer-lhe frente
“A fortuna é, quando muito, metade de nossas obras,
mas a outra metade nos cabe governar. A sorte
demonstra suas forças onde nada se ergueu para resisti-la
e ataca onde sabe não existirem muralhas para lhe fazer
frente. Um príncipe que depende exclusivamente da
sorte, cai quando ela muda”.
Para este pensamento, existe um adágio clássico na
administração: “Não existe sorte (fortuna) no mundo
dos negócios. O que existe é a perfeita combinação entre
competência e oportunidade. Quem for competente
saberá encontrar as melhores oportunidades”.
Lê-se, constantemente, à respeito do misticismo deste
ou daquele empresário ou executivo. Lê-se ainda sobre
quem jamais toma decisão sem consultar seus protetores
ou sem carregar seus amuletos. O problema é que nada
disso poderá ser invocado em caso de fracasso, assim
como nada substituirá o planejamento adequado e a
correta tomada de decisão. A “sorte” costuma sorrir para
quem se prepara e trabalha duro.
Conclusão sobre Maquiavel:
A maioria de suas lições pode ser facilmente adaptada
à gestão de organizações. Servem tanto para explicar
como para orientar o comportamento dos líderes.
Existem tanto aqueles que são maquiavélicos, no mau
sentido da palavra, quanto os que muito aprenderiam
sobre estratégias de gestão de equipes e empresas para
obtenção de resultados se estudassem Maquiavel.
A literatura gerencial é farta de bons autores e boas
obras sobre o comportamento do líder. Poucas, contudo,
vão tão diretamente ao ponto quando o velho e objetivo
Maquiavel.
Max Weber
Quanto ao trabalho de Weber, esta análise ficará
restrita ao “Idealtipo” de Burocracia.
As organizações, públicas ou privadas, são
burocráticas. Porém, o idealtipo (ou tipo ideal) de
burocracia proposto por Weber precisa ser analisado à luz
das práticas gerenciais da época, uma vez que o conceito
original foi alvo de inúmeras disfunções ao longo do
tempo e, recorde-se, modelos holísticos e virtuais de
gestão somente apareceram na segunda metade do
século passado, juntamente com a informática e as
organizações modernas.
À época de We b e r, o mundo empresarial era
dominado pelo chamado “capitalismo selvagem”. A
Revolução Industrial iniciada no final no século XVIII
estava, literalmente, a todo o vapor, as máquinas
equipavam as indústrias que cresciam cada vez mais
surgiam e a produção aumentava graças aos princípios da
Administração Científica, proposta por Frederick Taylor
e pelos teóricos de administração que se seguiram.
A estrutura funcional das empresas era cópia dos
modelos da Igreja e das organizações militares, onde
predominavam o controle e a centralização das decisões,
sem qualquer participação dos subordinados, até porque
eram praticamente semi-analfabetos e pouco conheciam
além do que lhes era ensinado a propósito de
treinamento para tarefas específicas.
Os gerentes conquistaram enorme importância,
principalmente após a publicação dos trabalhos de Henri
Fayol sobre O Processo Administrativo e As Funções do
Administrador. Contudo, cresceu-lhes também a
prepotência.
Como não se falava em Relações Humanas (os
primeiros trabalhos foram publicados por George Elton
Mayo em 1932), o ambiente nas indústrias era parecido
com o retratado por Charles Chaplin no filme ‘Tempos
Modernos”: submissão e alienação do trabalhador, com
a frustração pessoal agravada pela arrogância gerencial.
Na administração de empresas, o Idealtipo de
Burocracia de Weber começa a ser aplicado nos anos 40,
como forma de conter o ímpeto gerencial, disciplinandolhes
a conduta e canalizando seus esforços para os
objetivos da organização e não para a satisfação de suas
vaidades pessoais e aspirações por status e poder.
Em linhas gerais, Weber pregava:
- Formalização das rotinas e dos procedimentos (por
escrito)
- Divisão do trabalho.
- Clara definição e respeito à hierarquia.
- Impessoalidade nos relacionamentos.
- Competência técnica como requisito para
contratação, avaliação e promoções.
- Separação entre propriedade e gestão.
- Profissionalização do empregado.
Esse idealtipo de burocracia definia claramente os
papéis de gerentes e empregados, além de amarrar as
diretrizes da empresa de tal forma às rotinas de trabalho
que será quase impossível agir discricionariamente.
Porém, a má compreensão do conceito weberiano de
burocracia e a vontade de permanecer nos postos
conquistados acabou por produzir algumas disfunções, dentre as quais destacam-se:
- Despersonalização do relacionamento.
- As diretrizes passaram a ter valor próprio e foram centralizadas nos superiores.
- Excesso de formalismo e de papéis, gerando lentidão.
- Necessidade de exibição de sinais externos de autoridade.
- Conformidade com as regras, que nem sempre estavam corretas.
- Propensão à defesa de pressões externas.
- Resistência a mudanças.
Conclusão sobre Weber
Pode-se até cogitar que Weber, para a administração, teria sido um pouco “neo-maquiavélico”, embora isso se deva
mais à prática do que à gramática, uma vez que os gerentes utilizaram seus princípios para construir feudos e firmaremse
nos cargos.
Porém, é inegável que seu idealtipo de burocracia propiciou às organizações, inclusive as modernas, uma estruturação
competente que, se bem utilizada, garante aos gestores as ferramentas necessárias ao controle do bom desempenho e aos
empregados, por contrato, a certeza de suas prerrogativas e obrigações, livrando-os parcialmente do ímpeto selvagem
anterior à normatização.
Se, por um lado, condenam-se as organizações excessivamente burocráticas, pela lentidão, alto custo operacional e
pouca efetividade, por outro, não se concebe uma empresa totalmente sem burocracia. A burocracia acaba sendo algo
como o remédio: em doses fracas, não surte efeito e a overdose pode levar à morte.
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